Eu convivi com adolescentes adeptos da teoria junguiana. Muitos queriam ser aspies por se acharem estranhos por não ter uma convivência social. Porém, não tinham um diagnóstico de um terapeuta a respeito disso que eles faziam sua auto declaração. Então, ficavam se perguntando para o único aspie que conheciam porque ele tinha feito tratamento para a síndrome de asperger durante toda a sua vida.
O aspie em questão sou eu…
A culpa não é da sociedade ou de seus pais. Não tem um culpado. Muitas pessoas estão descobrindo os diagnósticos de autismo em idade avançada como o ator britânico Anthony Hopkins aos 83 anos. O que aconteceu é que a literatura adolescente criou um encanto em torno de ser aspie por ver vários jovens não se encontrarem no mundo junto com as distopias sobre esse grupo de adultos da minha idade no momento.
Para mim, não há um glamour em ser aspie. Minha vida infantil não foi fácil por lidar em um momento da sociedade onde se tinha a necessidade de fazer amigos. Minha mãe lidava bem com isso porque percebeu que não dava certo em festas de filhos de suas amigas e no Educere. Invés de me consertar. Ela resolveu me ajudar com o mundo por meio de nossas conversas com as minhas psicólogas e indo nas bancas pra comprar os especiais da quatro rodas.
Ela ficava preocupada se caso eu fosse a uma balada adolescente por não estar apto a isso. Porém, eu passei uma noite fora em um acampamento onde eu fiquei na chácara conversando com os meus amigos de instituto para uma despedida. Eu não fui incomodado pelo pessoal por já me conhecerem e vários colegas faziam companhia para mim para não me sentisse sozinho mesmo eles não sabendo que eu era aspie.
Hoje, me sinto melhor porque já conheço isso por ser neurodiverso. Os aspies e autistas estão ajudando os terapeutas com novos estudos tanto médicos quanto psicológicos onde podemos estabelecer um protocolo mais claro e atualizado sobre o autismo. Ao mesmo tempo onde os nossos relatos possam permitir uma ampla reflexão sobre nossas questões pessoais.
Mas não contem isso para os adolescentes normalopatas que desejam justificar a sua necessidade de ser estranho sem um diagnóstico com farta evidência empírica sobre o assunto….